COLUNA LIVRE

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Poucos, entre nós, sabem, mas existe em Guarulhos uma entidade destinada a preservar a memória do Nove de Julho. É feriado no estado de São Paulo.

O dia da Revolução Constitucionalista de 1932 está no calendário dos paulistas como o momento em que os nossos conterrâneos se levantaram contra o governo Vargas exigindo um regime de liberdade sob a letra da lei. Queríamos um conjunto de normas que nos desse garantias de viver, mais do que tudo, sob o poder do voto, decidido por homens e mulheres que aspiravam direito pleno de cidadania. Queríamos, enfim, a democracia. Aspiração que uniu os jovens da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, jornalistas da Gazeta e do Estado de São Paulo, locutores da recém fundada Rádio Record, e, principalmente, gente do povo.

A história daqueles três meses de guerra iniciada pelo assassinato dos quatro jovens conhecidos pelo conjunto das letras MMDC – as iniciais de Martins, Miragaia, Drausio e Camargo – é hoje contada por poucos. Um desses jovens, Drausio, tinha apenas catorze anos.

Dos veteranos que lutaram, apenas doze estão vivos. E nenhum deles com menos de 100 anos. São homens e mulheres – elas também lutaram – ainda lúcidos, alguns residentes na capital, e outros no interior do estado. Alguns desses sobreviventes serão homenageados nesta terça feira junto àquele belo monumento no parque do Ibirapuera, o memorial dos soldados que empunharam a bandeira de São Paulo em 32.

O Som das cornetas

A memória da Revolução Constitucionalista de 32 ainda está viva em Guarulhos. A Sociedade de Veteranos daquí é dirigida por um desses abnegados que fazem questão de lembrar e promover a história. Filho e neto de veteranos soldados, o advogado Carlos Alberto Romagnoli é o presidente da entidade. Ele lembra que, logo, as testemunhas que viveram aqueles momentos não estarão mais entre nós. E fica triste ao constatar que o Nove de Julho é visto hoje como mais um feriado, não mais que isso. Mas não joga a toalha.

Nesta terça, no feriado do dia nove, às quatro da tarde, ele estará mais uma vez, como todos os anos, no obelisco do Ibirapuera, lembrando as mais de setecentas vítimas mortas pelas balas e baionetas do exército de Vargas. E, junto com, talvez, meia dúzia de centenários veteranos e muitos filhos e netos dos combatentes, ouvirá a canção Paris Belfor e o Hino dos Paulistas, a marcha de Marcelo Tupinambá na voz do inesquecível Francisco Alves. Elas tocarão nas cornetas de alto falantes. Como antigamente.

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