Como os políticos tratam a Imprensa

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Millôr Fernandes dizia que fazer jornalismo é fazer oposição. O contrário são Secos e Molhados. Pra quem não sabe, a expressão se refere aos armazéns de antigamente onde se vendia de tudo.

Fui lembrado disso ontem por um leitor desta coluna com muito interesse nas coisas de Guarulhos. Foi assessor de imprensa de quatro prefeitos, começando com Waldomiro Pompêo, nos anos setenta. Não mora aqui, sempre residiu em São Paulo, mas esta vivência foi marcante a ponto de ter recebido o merecido título de Cidadão Honorário do Município.

Carlos Alberto Barbosa, esse meu amigo jornalista, trabalhou também aqui na Folha Metropolitana como repórter. A aposentadoria não lhe tirou a vontade de cavucar notícias.

Conversamos sobre políticos que gostam de jornal. E dos que não gostam. Lembramos ainda dos que não gostam mas fingem gostar.

Antônio Carlos Magalhães, político baiano dos mais influentes da República, o ACM, marcou sua trajetória cultivando amizades com gente da imprensa. E sempre gente importante, de Roberto Marinho a Élio Gaspari, passando pelo conterrâneo José Amílcar, ex-chefe do jornalismo da TV Globo em Salvador. Fundou um jornal, o Correio e foi íntimo de Glauber Rocha, desde quando o cineasta trabalhava como repórter no Jornal da Bahia.

ACM era também médico, mas nunca exerceu a medicina. Morreu em 2007. Sempre dizia que jornalista vive de furos e um bom político pode sempre agradá-lo com informações exclusivas.

Li ontem na Folha de S. Paulo que o governador João Doria é um sério seguidor da receita. Uma de suas preocupações seria a de mostrar um comportamento contrário ao do presidente Jair Bolsonaro.

O governador, sou testemunha, gosta sempre de dizer que também é do ramo. Antes da política, foi apresentador de TV. Quando candidato, esteve com a gente aqui nos estúdios da hoje extinta TV Destaque. Sempre solícito, gosta de mostrar uma relação cordial com os profissionais como fez com o jornalista Mauricio Siqueira na ocasião. Recebe as críticas sempre de coração aberto. Faz questão de mostrar que esse é o comportamento que, cada vez mais, está disposto a manter.

Doria já deu algumas escorregadas diante de notícias negativas. Mas foram poucas, principalmente se comparadas às do presidente Bolsonaro. Este, lembra Jânio Quadros. Vítima de um derrame cerebral, morreu em 1992. O ex-presidente faria agora no dia 25 de janeiro 103 anos.

Jânio gostava de deixar jornalistas desconcertados. Muitas vezes era extremamente descortês. Mas fazia tudo de caso pensado. Era inteligente.

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