Episódio esdrúxulo do secretário de cultura compromete governo Bolsonaro

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Sexta feira, duas horas da tarde. No estúdio da Rede Brasil, ouvi uma frase interessante do senador Major Olímpio, que não economiza críticas ao governo Bolsonaro, destacando que a inteligência do ser humano, por maior que seja, sempre encontra uma certa limitação. “A ignorância, ao contrário, não tem limites…”

O político eleito senador junto com a avalanche de votos conquistados por seu partido na eleição passada, o PSL, referia-se à bobagem dita pelo então secretário de cultura do governo, Roberto Alvim, trazendo de volta trecho de um discurso pronunciado em 1.933 pelo ministro de propaganda de Hitler, Joseph Goebbels.

Mais do que bobagem, o pronunciamento de Alvim deixa exposto um absurdo, provocando justas e indignadas reações em todo mundo.

Alvim fala de “arte nacionalista” num pronunciamento gravado ao som de uma peça de Richard Wagner, compositor alemão nascido em Leipzig em 1813 e idolatrado pelo ditador austríaco que levou a Alemanha ao inferno com sua loucura racial/expansionista e de perseguição aos judeus na segunda grande guerra.

Essa loucura custou a vida de seis milhões de judeus e de um número incalculável de ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová, deficientes físicos e mentais, opositores políticos, entre outros. Todos mortos nas câmaras de gás nos campos de concentração, o maior deles na vizinha Polônia: Auschwitz.  Sem falar na destruição da Alemanha, cujo povo sofreu horrores que se prolongaram por muitos e muitos anos.

Apesar da reação imediata de Bolsonaro ao demitir o secretário, o episódio deixa uma triste marca no governo. Veio se juntar e dar amplitude à imagem negativa que se espalha no mundo. As denúncias correm o planeta: o governo brasileiro é racista, inimigo da floresta, é contra os índios da Amazônia, é a favor da ditadura militar, da tortura, inimigo da democracia, um governo “fascista” enfim.

Será verdade tudo isso?

Não importa. Atravessou séculos a citação do imperador romano: À mulher de Cesar não basta ser honesta. Tem de parecer honesta… Não ser um governo fascista, e muito menos nazista, não basta.

O Brasil teve agora a confirmação de que o presidente contava com um ministro da cultura escolhido por ele que, primeiro, não é democrata. Segundo, é inimigo da cultura, pelo menos como a entendemos.

Consta que Bolsonaro ao ser informado do episódio teria ficado furiosíssimo. O presidente sabe: a responsabilidade de nomear e ter o secretário de cultura é dele. Já se sabia ser Roberto Alvim alguém de visões equivocadas. Despreparado para o cargo.

Não foi falta de aviso.

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