Sérgio Chapelin se despede do Globo Repórter. Vamos sentir falta.

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Em 1977 fiz a minha primeira reportagem exibida pela Globo, ainda como freelancer. Não foi exatamente uma reportagem. Era uma “nota coberta” – um texto transmitido pelo telefone para a redação no Rio, coberto por imagens. A edição do material era feita no Brasil.

A nota falava sobre o sequestro do presidente da Confederação de Associações de Empregadores da Alemanha, Hans Martin Schleyer. Ação do grupo de extrema esquerda Baader Meinhof, Facção do Exército Vermelho. Pessoal que, junto com as Brigadas Vermelhas, na Itália, dominava o noticiário da mídia europeia.

A ação do grupo terrorista aconteceu em Colônia, a cidade onde eu morava com a mulher e dois filhos e onde a Rádio Deutsche Welle tinha seus estúdios. Eu trabalhava lá.

A notícia apareceu no Jornal Nacional daquela noite do começo do mês de setembro, anunciada pelo apresentador Sergio Vieira Chapelin. No dia 18 de outubro, Hans Schleyer foi assassinado. Acompanhei a história desde seu começo.

Os locutores

No Brasil, as matérias ganhavam destaque com a leitura das “cabeças” – o anúncio da reportagem, algumas vezes destacando o nome do repórter – a cargo de dois gigantes do jornalismo global: Sergio Chapelin e Cid Moreira.

Quando comecei na TV, Chapelin e Cid Moreira já estavam na Globo desde 1972, recrutados na Rádio Jornal do Brasil pelo diretor de jornalismo, Armando Nogueira. Eram os melhores locutores do Rio.

Chapelin começou apresentando o Jornal Hoje. Mas foram poucos meses até ser transferido para o jornal das oito da noite, o principal da emissora.

Chegou a deixar a Globo, contratado por Silvio Santos, em 1983, para apresentar um programa semanal chamado Show Sem Limite, no SBT. Não deu certo.

Dizem que por pressão de Roberto Marinho, ou por falta de jogo de cintura para se adaptar ao estilo mais popular que a grade do SBT exigia, e, apesar do super salário oferecido por Silvio Santos, Chapelin voltou para o Jornal Nacional.

Foi também apresentador do Fantástico. Depois disso, veio o Globo Repórter.

Prestes a completar 79 anos, Sergio Chapelin vai agora deixar o programa. Quer se aposentar, como fez seu colega Cid Moreira, que completa 92 agora em setembro. Eles marcaram época e serão sempre lembrados por várias gerações.

Chapelin será substituído, pela apresentadora Sandra Annemberg, que deixa o Jornal Hoje, e a repórter Gloria Maria. Duas excelentes profissionais, mas, aqui entre nós, sem o carisma do grande ancora que se aposenta.

Vamos sentir sua falta, Chapelin.

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